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My secrets in metaphorical words.
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        E lá estávamos, depois de tantas encruzilhadas da vida, parados no meio do caminho, nessa última e definitiva escolha. Tínhamos três opções e poderíamos seguir juntos uma delas, mas eu decidi me separar, deixar para trás aqueles três conturbados anos e, sem pensar duas vezes, segui adiante sem rumo. Ela fez o mesmo e seguiu o caminho em direção oposta ao meu. O caminho da mudança, tanto meu quanto dela.
        Conheci belos lugares onde as minhas alterações começaram e, depois de um tempo, já não me reconhecia mais pelas partes do meu eu que deixara na estrada. Mas em meio a tantas novidades senti algo que eu já conhecia muito bem: a saudade. Saudade de quem eu era quando estava ao seu lado, saudade de seu andar junto ao meu, literalmente e metaforicamente, e, com a perda momentânea da razão, corri até o lugar em que nos separamos, mas ela já estava longe descobrindo o seu desconhecido, descobrindo a si mesma e, principalmente, sendo feliz. Encontrei apenas, em meio ao chão sujo e frio, o sentimento que deixara consigo. Sem alternativas, voltei até onde eu conseguira chegar sozinho, juntando algumas tristezas que eu havia perdido pelo caminho.
        Conheci algumas decepções pessoais que me ajudaram a crescer um pouco – ou a tornar-me mais frio, mas acho que certos tipos de friezas sempre se manifestam de acordo com o tempo, no caso essa, porém imagino que as pessoas prefiram chamar de maturidade. Além disso, conheci boas lembranças e estas estão se sobrepondo às antigas que esquecestes de levar embora consigo e, muitas vezes, fico pasmo percebendo como a superficialidade também me ajuda com isso, mas em menor quantidade. Sim, agora a superficialidade também faz parte de mim. Eu lembro dos nossos “nuncas” que se perderam junto com a nossa curta despedida. Quando me deparo com o fato de não nos reconhecermos mais, algo atinge o meu peito, mas agora resta-me aceitar que somos somente duas almas que foram separadas e estão em constantes mudanças.
        Ainda a encontro por essas ruas estranhas, em corpos desconhecidos, nas conversas de lábios que nunca ouviram o seu nome, ou no azul do céu. Azul, que, em meio às lágrimas – que continham o meu nome – manchavam o seu travesseiro. Apesar da tragédia momentânea que causei, partir naquele momento foi a melhor coisa que eu poderia ter feito e, em meio ao meu caos, ainda encontro um espaço para ficar feliz pois sei que agora ela também está. 


Tua aquarela
Desliza sobre mim
Tuas cores
Invadem-me os poros

Teu suor
Penetra em meu corpo
E como heroína
Deixa-me em êxtase

Depois tu se vai
O suor fica
Mistura-me as cores
Bagunça

Ah, esse blues,
Invade o meu cérebro
Perturba a minh’alma
Eu fico azul



Ando meio sem cor
Como as cinzas do meu cigarro
Vou virando pó aos poucos
Dançando ao som do vento
Dançando sozinho
Com as minhas partes.


mau-humor-dos-diabos:

 

Se eu nunca ver você de novo
Eu sempre vou levar você
dentro
fora
na ponta dos meus dedos
e nas bordas do meu cérebro
e em centros
centros
do que eu sou do
que restou.

Charles Bukowski

"Às vezes quero tudo que sonhei. Às vezes o que eu quero é desistir."
- Esteban

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Quero teus dias
Tendo eu,
Sendo meus dias
Também.


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Colore a minha noite
Com tua paisagem azul
Alimente meu peito
Com o vermelho-sangue
Dos teus lábios. 

Com teus olhos negros
Desenha em meu corpo a vida
Com tuas unhas afiadas
Rasga-me o nosso prazer
Em minhas costas. 

O rosar das tuas bochechas
Trará-me um sorriso
E o meu corpo ao teu
Hei de unir
Caindo em paz, junto a ti. 


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"Antes de partir, ateia fogo na minha carne, que guarda tanto de ti. Não deixe bagagens para trás, não em mim."

"A tua lembrança atacou a minha rinite."
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