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My secrets in metaphorical words.
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Tão louca é a vida
Que te joga num abismo
E, sem aviso, vai embora
Deixando o medo
Que assola na escuridão,
No vazio.


Eu sorria
Com a sua seminudez
Deitada ao meu lado direito
Era como preferia
E foi depois
Daquela noite fria
Que nós pertencemos
Ao nosso momento
E foi único
Sem jeito
E tímido
Mas eu já avisara
Mesmo assim
Ela aceitara
E do meu corpo ao seu
Restou a lembrança
E ela ficou aqui
Não quis sair
Nem dar um tempo
Por um momento
Virou tormento
Mas passou
E da nossa dança
De línguas,
Lábios,
Mãos,
Corpos
E mentes
Restou-me, apenas,
Pequenos pedaços seus
E a lembrança
De bons momentos
Que não voltam mais.


rubyetc:

a something


"Minha carne é o avesso do abismo."



rubyetc:

frustration



        E lá estávamos, depois de tantas encruzilhadas da vida, parados no meio do caminho, nessa última e definitiva escolha. Tínhamos três opções e poderíamos seguir juntos uma delas, mas eu decidi me separar, deixar para trás aqueles três conturbados anos e, sem pensar duas vezes, segui adiante sem rumo. Ela fez o mesmo e seguiu o caminho em direção oposta ao meu. O caminho da mudança, tanto meu quanto dela.
        Conheci belos lugares onde as minhas alterações começaram e, depois de um tempo, já não me reconhecia mais pelas partes do meu eu que deixara na estrada. Mas em meio a tantas novidades senti algo que eu já conhecia muito bem: a saudade. Saudade de quem eu era quando estava ao seu lado, saudade de seu andar junto ao meu, literalmente e metaforicamente, e, com a perda momentânea da razão, corri até o lugar em que nos separamos, mas ela já estava longe descobrindo o seu desconhecido, descobrindo a si mesma e, principalmente, sendo feliz. Encontrei apenas, em meio ao chão sujo e frio, o sentimento que deixara consigo. Sem alternativas, voltei até onde eu conseguira chegar sozinho, juntando algumas tristezas que eu havia perdido pelo caminho.
        Conheci algumas decepções pessoais que me ajudaram a crescer um pouco – ou a tornar-me mais frio, mas acho que certos tipos de friezas sempre se manifestam de acordo com o tempo, no caso essa, porém imagino que as pessoas prefiram chamar de maturidade. Além disso, conheci boas lembranças e estas estão se sobrepondo às antigas que esquecestes de levar embora consigo e, muitas vezes, fico pasmo percebendo como a superficialidade também me ajuda com isso, mas em menor quantidade. Sim, agora a superficialidade também faz parte de mim. Eu lembro dos nossos “nuncas” que se perderam junto com a nossa curta despedida. Quando me deparo com o fato de não nos reconhecermos mais, algo atinge o meu peito, mas agora resta-me aceitar que somos somente duas almas que foram separadas e estão em constantes mudanças.
        Ainda a encontro por essas ruas estranhas, em corpos desconhecidos, nas conversas de lábios que nunca ouviram o seu nome, ou no azul do céu. Azul, que, em meio às lágrimas – que continham o meu nome – manchavam o seu travesseiro. Apesar da tragédia momentânea que causei, partir naquele momento foi a melhor coisa que eu poderia ter feito e, em meio ao meu caos, ainda encontro um espaço para ficar feliz pois sei que agora ela também está. 


Tua aquarela
Desliza sobre mim
Tuas cores
Invadem-me os poros

Teu suor
Penetra em meu corpo
E como heroína
Deixa-me em êxtase

Depois tu se vai
O suor fica
Mistura-me as cores
Bagunça

Ah, esse blues,
Invade o meu cérebro
Perturba a minh’alma
Eu fico azul