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My secrets in metaphorical words.
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Lembra do dia em que a fumaça que inalávamos era a mesma e, em um simples encostar de lábios, nossos pulmões sentiam um ao outro? Teus ares eram meus e a falta deles também. Agora teus pulmões não carregam mais uma parte minha, não suspiram por mim, nem ao menos expiram o meu nome ou a minha lembrança. Fui expulso por cigarros vazios, e outros pulmões, que se sobrepuseram aos meus rastros, deixados no teu corpo. Hoje, depois de tanto tempo, eu me preencho morrendo com tantas fumaças cheias de nada enquanto tu inala teus ares sem as minhas impurezas e permite eles serem de um outro alguém.


hifas:

Firewall by Aaron Sherwood created in collaboration with Mike Allison



blejz:

L’enfant du pays

René Féret 2003



eu-sem-poesia:

"Fight Club"

Folded Paper

Art by: Bashir Sultani



mofo-cosmico:

“Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia.”

Fernando Pessoa.